ex-patroa madalena
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No Dia das Trabalhadoras Domésticas (27/04) uma cena foi muito comovente. O “Bahia Meio Dia”, telejornal da afiliada da TV Globo em Salvador falou sobre o trabalho escravo na Bahia. A matéria mostrou a história de Madalena Santiago da Silva, 62 anos, que viralizou e emocionou o Brasil. Madalena demonstrou receio ao encostar suas mãos nas da jornalista que a entrevistava, Adriana Oliveira. Ela confessou ter medo de pegar na mão da repórter que era branca: “Eu fico com medo de pegar na sua mão branca”, disse chorando. “Mas por que? Você tem medo de quê?“, perguntou a jornalista, estendendo suas mãos. “Porque ver a sua mão branca, eu pego a minha e boto em cima da sua, aí eu acho feio isso”, explicou a senhora. A Ex-patroa virou assunto pois além de manter mulher em regime de quase escravidão, disse que não pagava seu salário por considerá-la da familia.

Certamente, a atitude de Madalena demonstra as marcas que ela carrega pelos mais de 50 anos que passou por viver em condições análogas à escravidão, sem receber salário e sofrendo maus tratos e roubos. Como quando, por exemplo, a filha dos patrões desviou R$ 20 mil de sua aposentadoria ao fazer empréstimos no nome de Madalena.

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A saber, a mulher foi resgatada no mês passado.

Depoimento da ex-patroa

O caso teve um novo desdobramento na segunda-feira (2) quando a ex-patroa, Sônia Seixas Leal, confirmou ao Ministério do Trabalho que não pagava salário para Madalena. De acordo com a auditora fiscal do trabalho, Liane Durão, Sonia Seixas disse que não cumpria com os direitos trabalhistas de Madalena por considerá-la um membro da família.

A auditora explicou que para cada irregularidade cometida em relação ao trabalho de Madalena, será aberto um auto de infração. Até agora, registraram-se de fato mais ou menos 12 autos.

Nesse sentido, Creuza Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia, alega que o tipo de fala protagonizado por Sônia Leal, pode ser enquadrada como assédio moral: “É uma forma que a pessoa [empregador] usa para não garantir os direitos da empregada doméstica. E essa trabalhadora não é da família, ela está vendendo a sua mão de obra para uma pessoa que precisa do serviço. Se ela fosse da família, teria direito a herança, teria direito a usar o elevador social, piscina, fazer faculdade e estudar, como a família faz”, avaliou Creuza Oliveira.